terça-feira, 23 de dezembro de 2008
christmas
Firstly, I wish a happy birthday early or late Jesus, we do not have certainty about the date of your birth, but I believe that you will not be offended with these details, since we are keeping the focus on your most important message, respect and love (and not just at this time year).
As sloth and as one a creature of your creation, I apologize if I had ideas that often do not complete, for laziness. Oops, despite the "laziness" is my animal nature, nothing is excuse to stop doing good things. Sorry for not having given me most.
Pardons if I complaining about what I have, and if I not see my wonderful life. In fact, you do not miss anything behind me. When there are leaves on my trees, branches for me to sleep, a sloth husband to hug me, and great friends to talk.
Thank for you being at all, by you be the essence builds and harmonizes the world. Thank you for being in us and keep us the desire to not give up, taught us to give the other side face when someone tries to discourage us.
And most important, thank you for being an example and for your so many wonderful philosophies.
Finally, a request.
Teaches us to think, like you want this be done, and not as humans imposed us it.
Teaches us to think and to see that even the world are you and us at the same time.
Teaches us to think with respect, for respect the world and therefore to ourselves.
Amen.
Natal
Oração de Natal:
english versionEm primeiro lugar, quero desejar um feliz aniversário adiantado ou atrasado Jesus, já que não temos certeza a respeito da data de seu nascimento, mas acredito que o senhor não se ofenderá com estes detalhes, desde que estajamos mantendo o foco em sua mensagem mais importante, respeito e amor (E não apenas nesta época do ano).
Como preguiça e criatura de sua criação, quero pedir desculpas se muitas vezes tive idéias que não concluí, por preguiça. Ops, apesar de "preguiça" ser a minha natureza animal, nada é desculpa para deixar de fazer coisas boas. Perdão por não ter dado o máximo de mim.
Perdões se algumas vezes reclamei do que tenho, se não enxerguei minha vida maravilhosa, pois tu não me deixastes faltar nada. Sempre existem folhas nas minhas árvores, galhos para mim dormir, um marido preguiça para me abraçar, amigos para conversar.
Obrigada por estar em tudo, por ser a essencia que constrói e harmoniza o mundo. Obrigado por estar em nós e nos manter a vontade de não desistir, por nos ensinar a dar a outra face quando alguém tenta nos desanimar.
E o mais importante, obrigada por ter sido um exemplo e por tantas filosofias maravilhosas.
Por último, um pedido. Nos ensina a pensar, como tu gostarias que isso fosse feito, não como os humanos impuseram. Nos ensina a pensar e conseguir enxergar que o mundo és tu e nós ao mesmo tempo. Nos ensina a pensar com respeito, a respeitar o mundo e consequentemente a nós mesmos.
Amém.
quinta-feira, 18 de dezembro de 2008
Notícias 01
FORUM SOCIAL MUNDIAL
english version
O que é o Fórum Social Mundial?
| O FSM é um espaço de debate democrático de idéias, aprofundamento da reflexão, formulação de propostas, troca de experiências e articulação de movimentos sociais, redes, ONGs e outras organizações da sociedade civil que se opõem ao neoliberalismo e ao domínio do mundo pelo capital e por qualquer forma de imperialismo. Após o primeiro encontro mundial, realizado em 2001, se configurou como um processo mundial permanente de busca e construção de alternativas às políticas neoliberais. Esta definição está na Carta de Princípios, principal documento do FSM. O Fórum Social Mundial se caracteriza também pela pluralidade e pela diversidade, tendo um caráter não confessional, não governamental e não partidário. Ele se propõe a facilitar a articulação, de forma descentralizada e em rede, de entidades e movimentos engajados em ações concretas, do nível local ao internacional, pela construção de um outro mundo, mas não pretende ser uma instância representativa da sociedade civil mundial. O Fórum Social Mundial não é uma entidade nem uma organização. |
Amazônia, território protagonista do FSM 2009
De 27 de janeiro a 1° de fevereiro de 2009, a cidade de Belém abrigará o Fórum Social Mundial. Durante esses seis dias, a cidade assume o posto de centro da cidadania planetária e referência mundial no questionamento à desigualdade, à injustiça, à intolerância, à devastação ambiental e ao preconceito.
As centenas de atividades autogestionadas – como acampamentos, oficinas, seminários, conferências, testemunhos, marchas, atividades culturais e artísticas entre outros – que acontecem ao longo desses dias são espaços de intercâmbio, reflexão e elaboração de propostas para a construção de outro mundo possível.
O território onde serão desenvolvidas as atividades durante o Fórum Social Mundial é composto pela Universidade Federal do Pará (UFPA) e pela a Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA), em uma área verde margeada pelo rio Guamá e pela floresta.
-> visite o site do FSM 2009
News 01
World Social Forum
portuguese version:
link to WSF:
What the World Social Forum is?
| The World Social Forum is an open meeting place where social movements, networks, NGOs and other civil society organizations opposed to neo-liberalism and a world dominated by capital or by any form of imperialism come together to pursue their thinking, to debate ideas democratically, for formulate proposals, share their experiences freely and network for effective action. Since the first world encounter in 2001, it has taken the form of a permanent world process seeking and building alternatives to neo-liberal policies. This definition is in its Charter of Principles, the WSF’s guiding document. The World Social Forum is also characterized by plurality and diversity, is non-confessional, non-governmental and non-party. It proposes to facilitate decentralized coordination and networking among organizations engaged in concrete action towards building another world, at any level from the local to the international, but it does not intend to be a body representing world civil society. The World Social Forum is not a group nor an organization. |
Amazon: WSF 2009 protagonist territory
From January 27th to February 1st 2009, the city of Belem will host the World Social Forum. During six days, the city assumes the position of being the center of planetary citizenship and a global reference for those who don't agree with inequality, injustice, intolerance, environment destruction and prejudice.
Hundreds of self-managed activities – as campings, workshops, seminars, conferences, testimonies, marches, cultural and artistic activities, among others – during this six days will be spaces for exchange, reflection and building of proposals for another possible world.
The World Social Forum 2009 territory is composed by the Para Federal University (UFPA) and the Amazon Federal Rural University (UFRA) in a green area along the Guama river facing the rain forest one mile away on the other bank.
-> visit WSF 2009 website
philosophy 01
Our mind is always quick and impatient looking for known analogies to all images we see, to words we hear or words it will speaks. This is almost a rampant requirement in our ears, "you must be dynamic!", "Think fast." But even this is the path to knowledge? How many learning and news we caught in this way? Or we left to appreciate the life by this hurry?
One example to our mental rush can be viewed as a simple trip to a museum of contemporary art. Who has never entered into one of these museums, saw one of those strange works - apparently without meaning or direction, and soon decided: - "that crazy thing, it is useless." Or, if you've never been to a museum, you already have seen something "artistic" somewhere and thought the same way.
Oh, that damn hurry to analyze and thinking, always removing us the pleasant parts of life.
Certain facts or things were not meant to be understood, but to be appreciated, or to be studied, or for directions, or even to cause the "to think" act.
What is your description for something simpleton, like one stone? You look at a stone and asks yourself, "which means the stone?" Or you just say "what is rock," - that is, the definition for the thing, the logical explanation for that. Why not: which means a stone? This is because our mind soon search for similarities, the "definition to rock" is much faster from memory than "a meaning for stone", since "it serves for what" is the most useful, which has more practical application. Thinking differently is laborious.
Why to think differently, yes? What would be the application that? Please do not agree, because that is too comfortable...
We need to think differently to exercise our minds, to make it breathe, make it create solutions, to become alive and not slaves of situations.
Our haste makes us ignore the other questions, the questions for which we have no ready answers, or analogies. There were times when our haste makes up our mind to unknow those sensations, that reality. You must have time to think about situations and philosophies in different ways. Time and courage, that the unknown often frightens us and makes us give up or run.
When you hear a song, you try to explain what it means? Why? And if it was made to make you think and not to be explained? As a part of contemporary art, has no meaning ready, it has the meaning of mean, to create meanings.
You must learn to look at things in two ways, practical way and form criticism way. The practice is so fast, with the analogies and how critical does not come so quickly, you need a "second look". The practical way can have its uses in certain moments, but it is useless to others, as well as a critical. You will not see a car coming toward one child and be thinking about it, you'll be practical and run to get her out the front of the car. However, you also can not go through life without seeing a second meaning in anything, being nothing critic for all, only agreeing to (or disagreeing of) everything.
Part of us is made by feelings, yes?
You must learn to separate both two things. There are objects, facts, texts that were made to help you think, other texts are more direct, you want to say something direct, or indirect. A traffic card is direct, a music may or may not be direct, as well as art table. TV advertising seems to be direct, but it tells you more indirect messages and you can not understand - precisely because it is missing your critical view. This can trick you and manipulate you if you unknow it. Did you know a business card, nothing is there by chance? All images and words on the board were designed, chosen to manipulate those who do not like to critical think. (Now I gave good practical reason for thinking so as not practical, yes?).
Finally, the important is you do not succumb to fears of your mind. Your mind fears all things does not explain at once, and often it can get you away from so many wonderful realities, or until you isolate the reality. Or worse, make you blind.
Do this for your mind, teach it to be patient at observe the world and teach it to do in various ways, not the leaves toughen and accept everything by a single point of view. It may be more comfortable be sure about all, but the actual implementation this, is not practical.
filosofia 01
Nossa mente rápida e impaciente está sempre à procura de analogias conhecidas para todas as imagens que vê, para as palavras que ouve, palavras que falará. Isso é quase uma exigência gritante aos nossos ouvidos, “você precisa ser dinâmico!”, “pense rápido!”. Mas será mesmo esse o caminho para o conhecimento? Quantos aprendizados e novidades nós atropelamos pelo caminho? Ou deixamos de apreciar por pressa?
Um exemplo que constata a nossa pressa mental pode ser visto em um simples passeio a um museu de arte contemporânea. Quem nunca entrou em um desses museus, viu uma daquelas obras estranhas - aparentemente sem significado ou sentido, e logo decidiu: - “que coisa mais imprestável, isso é inútil.” Ou, se você nunca foi a um museu, você já deve ter visto algo “artístico” em algum lugar e também pensou da mesma forma.
Ah, essa maldita pressa de analisar e pensar, sempre nos retirando as partes agradáveis da vida.
Certos fatos ou coisas não foram feitos para serem compreendidos, mas para serem apreciados, ou para serem estudados, ou para serem sentidos, ou mesmo para provocarem o fato do pensar.
Qual é a sua descrição para algo simplório, como uma pedra? Você olha para uma pedra e se pergunta: “o que significa a pedra?” ou você logo diz “o que é a pedra”, - ou seja, a definição para a coisa, a explicação lógica para isso. Por que não: o que significa uma pedra? Isso acontece porque nossa mente logo busca por analogias, a “definição da pedra” vem muito mais rápido à memória do que “um significado para pedra”, pois “pra que serve” é a resposta mais útil, que tem mais aplicação prática. Pensar de forma diferente é trabalhoso. Pra que pensar diferente, sim? Qual seria a aplicação disso? Por favor, não concorde, por que concordar com isso é cômodo demais...
Nós precisamos pensar diferente para exercitar nossa mente, para fazê-la respirar, fazê-la criar soluções, para nos tornarmos vivos e não escravos das situações.
Nossa pressa nos faz ignorar as outras perguntas, as perguntas para as quais nós não temos respostas prontas, ou analogias. Em certos momentos, nossa pressa faz até a nossa mente desconhecer essas sensações, essa realidade. É preciso ter tempo para pensar sobre situações e filosofias de diferentes formas. Tempo e coragem, por que o desconhecido muitas vezes nos assusta e nos faz desistir ou correr.
Quando você ouve uma música, você tenta explicar o que ela significa? Por quê? E se ela foi feita para te fazer pensar e não para ser explicada? Assim como um quadro de arte contemporânea, não tem um significado pronto, ele tem o significado de significar, de criar significados.
Você precisa aprender a olhar para as coisas de duas formas, forma prática e a forma crítica. A forma prática vem rápido, com as analogias e a forma crítica não vem tão rápido, precisa de uma “segunda olhada”. A forma prática pode ter suas utilidades em certos momentos, mas é inútil em outros, assim como a forma crítica. Você não vai observar um carro vindo na direção de uma criança e ficar pensando sobre isso, você vai ser prático e correr para tirá-la da frente do carro. Entretanto, você também não pode passar pela vida sem ver um segundo significado em nada, sem ser nenhum um pouco crítico, apenas concordando com (ou discordando de) tudo. Parte de nós é feita de sentimentos, sim?
Você precisa aprender a separar as duas coisas. Existem objetos, fatos, textos que foram feitos para te ajudar a pensar, outros textos são mais diretos, querem te dizer algo direto, ou indireto. Uma placa de transito é direta, uma música pode ou não ser direta, assim como um quadro. Uma propaganda de TV parece ser direta, mas ela te diz várias mensagens indiretas e você pode não perceber – justamente por lhe faltar a forma crítica. Isso pode te enganar e te manipular se você desconhecê-la. Você sabia que em uma placa comercial, nada está ali por acaso? Todas as imagens e palavras na placa foram pensados, escolhidas para manipular quem não gosta de pensar de forma crítica. (Agora sim te dei um motivo bem prático para pensar de uma forma não tão prática, sim?).
Enfim, o importante é você não ceder aos medos da sua mente. Ela teme tudo que não consegue explicar de imediato, e muitas vezes isso pode te afastar de tantas realidades maravilhosas, ou até te isolar da realidade. Ou pior, tornar-te cego. Faça esse favor a sua mente, ensine-a a ser paciente ao observar o mundo, ensine-a a ver de diversas formas, não a deixa endurecer e aceitar tudo por um único ponto de vista. Pode ser mais cômodo ter certezas de tudo, mas a aplicação real disso, não é nada prática.
terça-feira, 16 de dezembro de 2008
literatura 01
O homem de cabeça de papelão
por João do Rio
english versionNo País que chamavam de Sol, apesar de chover, às vezes, semanas inteiras, vivia um homem de nome Antenor. Não era príncipe. Nem deputado. Nem rico. Nem jornalista. Absolutamente sem importância social.
O País do Sol, como em geral todos os países lendários, era o mais comum, o menos surpreendente em idéias e práticas. Os habitantes afluíam todos para a capital, composta de praças, ruas, jardins e avenidas, e tomavam todos os lugares e todas as possibilidades da vida dos que, por desventura, eram da capital. De modo que estes eram mendigos e parasitas, únicos meios de vida sem concorrência, isso mesmo com muitas restrições quanto ao parasitismo. Os prédios da capital, no centro elevavam aos ares alguns andares e a fortuna dos proprietários, nos subúrbios não passavam de um andar sem que por isso não enriquecessem os proprietários também. Havia milhares de automóveis à disparada pelas artérias matando gente para matar o tempo, cabarets fatigados, jornais, tramways, partidos nacionalistas, ausência de conservadores, a Bolsa, o Governo, a Moda, e um aborrecimento integral. Enfim tudo quanto a cidade de fantasia pode almejar para ser igual a uma grande cidade com pretensões da América. E o povo que a habitava julgava-se, além de inteligente, possuidor de imenso bom senso. Bom senso! Se não fosse a capital do País do Sol, a cidade seria a capital do Bom Senso!
Precisamente por isso, Antenor, apesar de não ter importância alguma, era exceção mal vista. Esse rapaz, filho de boa família (tão boa que até tinha sentimentos), agira sempre em desacordo com a norma dos seus concidadãos.
Desde menino, a sua respeitável progenitora descobriu-lhe um defeito horrível: Antenor só dizia a verdade. Não a sua verdade, a verdade útil, mas a verdade verdadeira. Alarmada, a digna senhora pensou em tomar providências. Foi-lhe impossível. Antenor era diverso no modo de comer, na maneira de vestir, no jeito de andar, na expressão com que se dirigia aos outros. Enquanto usara calções, os amigos da família consideravam-no um enfant terrible, porque no País do Sol todos falavam francês com convicção, mesmo falando mal. Rapaz, entretanto, Antenor tornou-se alarmante. Entre outras coisas, Antenor pensava livremente por conta própria. Assim, a família via chegar Antenor como a própria revolução; os mestres indignavam-se porque ele aprendia ao contrario do que ensinavam; os amigos odiavam-no; os transeuntes, vendo-o passar, sorriam.
Uma só coisa descobriu a mãe de Antenor para não ser forçada a mandá-lo embora: Antenor nada do que fazia, fazia por mal. Ao contrário. Era escandalosamente, incompreensivelmente bom. Aliás, só para ela, para os olhos maternos. Porque quando Antenor resolveu arranjar trabalho para os mendigos e corria a bengala os parasitas na rua, ficou provado que Antenor era apenas doido furioso. Não só para as vítimas da sua bondade como para a esclarecida inteligência dos delegados de polícia a quem teve de explicar a sua caridade.
Com o fim de convencer Antenor de que devia seguir os tramitas legais de um jovem solar, isto é: ser bacharel e depois empregado público nacionalista, deixando à atividade da canalha estrangeira o resto, os interesses congregados da família em nome dos princípios organizaram vários meetings como aqueles que se fazem na inexistente democracia americana para provar que a chave abre portas e a faca serve para cortar o que é nosso para nós e o que é dos outros também para nós. Antenor, diante da evidência, negou-se.
— Ouça! bradava o tio. Bacharel é o princípio de tudo. Não estude. Pouco importa! Mas seja bacharel! Bacharel você tem tudo nas mãos. Ao lado de um político-chefe, sabendo lisonjear, é a ascensão: deputado, ministro.
— Mas não quero ser nada disso.
— Então quer ser vagabundo?
— Quero trabalhar.
— Vem dar na mesma coisa. Vagabundo é um sujeito a quem faltam três coisas: dinheiro, prestígio e posição. Desde que você não as tem, mesmo trabalhando — é vagabundo.
— Eu não acho.
— É pior. É um tipo sem bom senso. É bolchevique. Depois, trabalhar para os outros é uma ilusão. Você está inteiramente doido.
Antenor foi trabalhar, entretanto. E teve uma grande dificuldade para trabalhar. Pode-se dizer que a originalidade da sua vida era trabalhar para trabalhar. Acedendo ao pedido da respeitável senhora que era mãe de Antenor, Antenor passeou a sua má cabeça por várias casas de comércio, várias empresas industriais. Ao cabo de um ano, dois meses, estava na rua. Por que mandavam embora Antenor? Ele não tinha exigências, era honesto como a água, trabalhador, sincero, verdadeiro, cheio de idéias. Até alegre — qualidade raríssima no país onde o sol, a cerveja e a inveja faziam batalhões de biliosos tristes. Mas companheiros e patrões prevenidos, se a princípio declinavam hostilidades, dentro em pouco não o aturavam. Quando um companheiro não atura o outro, intriga-o. Quando um patrão não atura o empregado, despede-o. É a norma do País do Sol. Com Antenor depois de despedido, companheiros e patrões ainda por cima tomavam-lhe birra. Por que? É tão difícil saber a verdadeira razão por que um homem não suporta outro homem!
Um dos seus ex-companheiros explicou certa vez:
— É doido. Tem a mania de fazer mais que os outros. Estraga a norma do serviço e acaba não sendo tolerado. Mau companheiro. E depois com ares...
O patrão do último estabelecimento de que saíra o rapaz respondeu à mãe de Antenor:
— A perigosa mania de seu filho é por em prática idéias que julga próprias.
— Prejudicou-lhe, Sr. Praxedes?
Não. Mas podia prejudicar. Sempre altera o bom senso. Depois, mesmo que seu filho fosse águia, quem manda na minha casa sou eu.
No País do Sol o comércio ë uma maçonaria. Antenor, com fama de perigoso, insuportável, desobediente, não pôde em breve obter emprego algum. Os patrões que mais tinham lucrado com as suas idéias eram os que mais falavam. Os companheiros que mais o haviam aproveitado tinham-lhe raiva. E se Antenor sentia a triste experiência do erro econômico no trabalho sem a norma, a praxe, no convívio social compreendia o desastre da verdade. Não o toleravam. Era-lhe impossível ter amigos, por muito tempo, porque esses só o eram enquanto. não o tinham explorado.
Antenor ria. Antenor tinha saúde. Todas aquelas desditas eram para ele brincadeira. Estava convencido de estar com a razão, de vencer. Mas, a razão sua, sem interesse chocava-se à razão dos outros ou com interesses ou presa à sugestão dos alheios. Ele via os erros, as hipocrisias, as vaidades, e dizia o que via. Ele ia fazer o bem, mas mostrava o que ia fazer. Como tolerar tal miserável? Antenor tentou tudo, juvenilmente, na cidade. A digníssima sua progenitora desculpava-o ainda.
— É doido, mas bom.
Os parentes, porém, não o cumprimentavam mais. Antenor exercera o comércio, a indústria, o professorado, o proletariado. Ensinara geografia num colégio, de onde foi expulso pelo diretor; estivera numa fábrica de tecidos, forçado a retirar-se pelos operários e pelos patrões; oscilara entre revisor de jornal e condutor de bonde. Em todas as profissões vira os círculos estreitos das classes, a defesa hostil dos outros homens, o ódio com que o repeliam, porque ele pensava, sentia, dizia outra coisa diversa.
— Mas, Deus, eu sou honesto, bom, inteligente, incapaz de fazer mal...
— É da tua má cabeça, meu filho.
— Qual?
— A tua cabeça não regula.
— Quem sabe?
Antenor começava a pensar na sua má cabeça, quando o seu coração apaixonou-se. Era uma rapariga chamada Maria Antônia, filha da nova lavadeira de sua mãe. Antenor achava perfeitamente justo casar com a Maria Antônia. Todos viram nisso mais uma prova do desarranjo cerebral de Antenor. Apenas, com pasmo geral, a resposta de Maria Antônia foi condicional.
— Só caso se o senhor tomar juízo.
— Mas que chama você juízo?
— Ser como os mais.
— Então você gosta de mim?
— E por isso é que só caso depois.
Como tomar juízo? Como regular a cabeça? O amor leva aos maiores desatinos. Antenor pensava em arranjar a má cabeça, estava convencido.
Nessas disposições, Antenor caminhava por uma rua no centro da cidade, quando os seus olhos descobriram a tabuleta de uma "relojoaria e outros maquinismos delicados de precisão". Achou graça e entrou. Um cavalheiro grave veio servi-lo.
— Traz algum relógio?
— Trago a minha cabeça.
— Ah! Desarranjada?
— Dizem-no, pelo menos.
— Em todo o caso, há tempo?
— Desde que nasci.
— Talvez imprevisão na montagem das peças. Não lhe posso dizer nada sem observação de trinta dias e a desmontagem geral. As cabeças como os relógios para regular bem...
Antenor atalhou:
— E o senhor fica com a minha cabeça?
— Se a deixar.
— Pois aqui a tem. Conserte-a. O diabo é que eu não posso andar sem cabeça...
— Claro. Mas, enquanto a arranjo, empresto-lhe uma de papelão.
— Regula?
— É de papelão! explicou o honesto negociante. Antenor recebeu o número de sua cabeça, enfiou a de papelão, e saiu para a rua.
Dois meses depois, Antenor tinha uma porção de amigos, jogava o pôquer com o Ministro da Agricultura, ganhava uma pequena fortuna vendendo feijão bichado para os exércitos aliados. A respeitável mãe de Antenor via-o mentir, fazer mal, trapacear e ostentar tudo o que não era. Os parentes, porem, estimavam-no, e os companheiros tinham garbo em recordar o tempo em que Antenor era maluco.
Antenor não pensava. Antenor agia como os outros. Queria ganhar. Explorava, adulava, falsificava. Maria Antônia tremia de contentamento vendo Antenor com juízo. Mas Antenor, logicamente, desprezou-a propondo um concubinato que o não desmoralizasse a ele. Outras Marias ricas, de posição, eram de opinião da primeira Maria. Ele só tinha de escolher. No centro operário, a sua fama crescia, querido dos patrões burgueses e dos operários irmãos dos spartakistas da Alemanha. Foi eleito deputado por todos, e, especialmente, pelo presidente da República — a quem atacou logo, pois para a futura eleição o presidente seria outro. A sua ascensão só podia ser comparada à dos balões. Antenor esquecia o passado, amava a sua terra. Era o modelo da felicidade. Regulava admiravelmente.
Passaram-se assim anos. Todos os chefes políticos do País do Sol estavam na dificuldade de concordar no nome do novo senador, que fosse o expoente da norma, do bom senso. O nome de Antenor era cotado. Então Antenor passeava de automóvel pelas ruas centrais, para tomar pulso à opinião, quando os seus olhos deram na tabuleta do relojoeiro e lhe veio a memória.
— Bolas! E eu que esqueci! A minha cabeça está ali há tempo... Que acharia o relojoeiro? É capaz de tê-la vendido para o interior. Não posso ficar toda vida com uma cabeça de papelão!
Saltou. Entrou na casa do negociante. Era o mesmo que o servira.
— Há tempos deixei aqui uma cabeça.
— Não precisa dizer mais. Espero-o ansioso e admirado da sua ausência, desde que ia desmontar a sua cabeça.
— Ah! fez Antenor.
— Tem-se dado bem com a de papelão? — Assim...
— As cabeças de papelão não são más de todo. Fabricações por séries. Vendem-se muito.
— Mas a minha cabeça?
— Vou buscá-la.
Foi ao interior e trouxe um embrulho com respeitoso cuidado.
— Consertou-a?
— Não.
— Então, desarranjo grande?
O homem recuou.
— Senhor, na minha longa vida profissional jamais encontrei um aparelho igual, como perfeição, como acabamento, como precisão. Nenhuma cabeça regulará no mundo melhor do que a sua. É a placa sensível do tempo, das idéias, é o equilíbrio de todas as vibrações. O senhor não tem uma cabeça qualquer. Tem uma cabeça de exposição, uma cabeça de gênio, hors-concours.
Antenor ia entregar a cabeça de papelão. Mas conteve-se.
— Faça o obséquio de embrulhá-la.
— Não a coloca?
— Não.
— V.EX. faz bem. Quem possui uma cabeça assim não a usa todos os dias. Fatalmente dá na vista.
Mas Antenor era prudente, respeitador da harmonia social.
— Diga-me cá. Mesmo parada em casa, sem corda, numa redoma, talvez prejudique.
— Qual! V.EX. terá a primeira cabeça.
Antenor ficou seco.
— Pode ser que V., profissionalmente, tenha razão. Mas, para mim, a verdade é a dos outros, que sempre a julgaram desarranjada e não regulando bem. Cabeças e relógios querem-se conforme o clima e a moral de cada terra. Fique V. com ela. Eu continuo com a de papelão.
E, em vez de viver no País do Sol um rapaz chamado Antenor, que não conseguia ser nada tendo a cabeça mais admirável — um dos elementos mais ilustres do País do Sol foi Antenor, que conseguiu tudo com uma cabeça de papelão.
literature 01
The man of cardboard head.
by João do Rio (John's River)
portuguese version:by João do Rio (John's River)
In the country called Sun, despite rain some days, sometimes entire weeks, lived a man called Antenor. He was not Prince. He was not Mr. Not rich. not journalist. Absolutely nothing social importance.
The sun country, like in general all countries legendary, was the most common, the less surprising in ideas and practices. The people all flocked to the capital, composed of squares, streets, gardens and avenues, and took all places and all the life possibilities of those who - by misadventure, lived at capital. So they were beggars and parasites, unique life ways with no competition, even with so many restrictions on the parasitism. The capital buildings, in the center amounted to some ares floors and wealth of the owners, in the suburbs is just a walk without which did not also enriched the owners. There were thousands fast cars by the arteries killing people to kill the time, fatigued cabarets, newspapers, tramways, nationalist parties, lack of conservatives, the stock exchange, the government, the Fashion, and a full boredom. Finally all things one city of fantasy may look to be like to a big city with America pretensions. And the people lived there thought they was, as well as intelligent, possessor of immense Good Sense. Good Sense! If it were not for the country's capital of the sun, the city is the capital of the Good Sense!
Precisely for this reason, Antenor, despite not having any importance, he was except not well received. The boy, son of good family (so good that even had feelings), acted always in disagreement with the standard of its citizens.
Since boy, his respectable mother discovered it a terrible defect: Antenor said only the truth. Not your truth, the truth useful, but the real truth. Alarmed, the dignified lady thought about taking action. It has been impossible. Antenor was diverse in order to eat, how to dress, the way to speech with the other. While wear shorts, the friends of family considered him a terrible enfant, because in sun country all spoke French with conviction, even talking bad. When boy, meanwhile, Antenor has become alarming. Among other things, Antenor thought freely by himself. Thus, the family looking to Antenor as the revolution itself, the master is angry because he learned everything by opposite of what they had taught, the friends hated him, and passersby - seeing he go, smile.
One thing discovered Antenor mother from not to be forced to fire him: Nothing Antenor did, was done by evil. Wrong. He was outrageously, incomprehensibly good person. Moreover, only for she, for your eye maternal. Because when resolved Antenor finding work for the beggars and ran the cane parasites on the street, it was proved that Antenor was just crazy mad. Not only for the victims of his kindness but to the enlightened intelligence of delegates from the police who had to explain his charity.
In order to convince Antenor that should follow the legal procedures of a "young sun", that is: BS and then be employed nationalist audience, leaving the activity of foreign scoundrel the rest, the family interests gathered on behalf of the principles held several meetings, like those they do in the "absent-democracy" American to prove that the key opens doors and the knife used to cut, what is ours for us and what is of other is for us too. Antenor, in the face of the evidence, denied it.
- Listen! - scream the uncle. - BA is the beginning to everything. Do not do. It matters little! But be one BA! With the Bachelor you have everything in your hands. Together one chief political, knowing flattery, is the rise: Member, Minister.
- But I do not want to be anything like that.
- So you want to be bum?
- I want to work.
- Come to the same thing. Bum is a guy who lack three things: money, prestige and position. Since you do not have, even working - you are bum.
- I do not think.
- Is it worse. He is a type without "good sense". It Bolshevik. Then, working for others is an illusion. You're completely crazy.
Antenor was working, however. And he had a great difficulty to work. You could say that the originality of their work life was work for work. Accessing the request of the respectable lady who was his Antenor mother, Antenor has his bad headache for several houses on trade, several industrial enterprises. After one year, two months, he was to fire. Why resign Antenor? He had no demands, he was honest and transparent like water, hardworking, honest, genuine, thoughtful. He was stil happy - rare quality in the country where the sun, beer and envy formed battalions of sad bilious. But colleagues and bosses prevented, if the principle declined hostilities, presently do not put up him. When a colleague does not put up with other, intrigue him. When boss does not put up with him, dismiss him. This is the standard in sun country. With Antenor after fired, the colleagues and bosses also throw a tantrum with him. Why? It is so difficult to know the real reason why a man does not put up with other man!
One of his former comrades once explained:
- He's crazy. He has quirk to do more than others. Destroys the service standard and not just being tolerated. Bad colleague. And then with airs ...
The boss of the last establishment that was fire the boy answered to Antenor mother:
- The dangerous quirk of your child is to do ideas he thinks be good.
- Did he harm you, Mr. Praxedes?
- No. But he could harm me. He always change the common sense. Then, even if your son was a eagle, who tells in my house is me.
In the Sun Country trade is a freemasonry. Antenor, with your dangerous, intolerable, disobedient reputation, could not soon get a job. The chiefs than most had profited from their ideas were those who spoke more bad. The colleagues had taken most advantage with him was who more hated him. And if Antenor felt the sad experience of economic mistake at work without the rules, the practice in social interaction included the disaster of truth. Do not tolerated him. Was impossible he has friends for a long time, because those were by only time they still had not explored it.
Antenor laughed. Antenor had health. All those misfortune was kidding for him. He was convinced to be the reason, to win. But the reason own - without interest, it shocked to the reasons of others or with the interests or the suggestion of others. He saw the mistakes, the hypocrisy, the vanity, and he said what he sees. He would do good, but showed what he was doing. How tolerate such miserable? Antenor tried everything, juvenile, in the city. The dignified his mother excused him yet.
- It's crazy, but good.
The relatives, however, not more compliance. Antenor exercised the trade, industry, the teachers, the proletariat. Teaching geography in a college, from where it was fired by the director, he had been a fabrics factory, forced to go out by workers and the boss; he ranged from newspaper reviewer and tram driver. In all professions turn the narrow circles of classes, the hostile defense of other men, the hatred they repel him, because he thought, felt, was something different.
- God, I'm honest, good, intelligent, incapable to doing evil...
- It is your bad head, my son.
- What?
- Your head does not regulate.
- Who knows?
Antenor began to think in his poor head, when your heart is in love with. She was a girl named Maria Antonia, daughter of the new laundress's mother. Antenor felt quite right to marry Maria Antonia. Everyone saw in this fact more further evidence Antenor brain derangement. Only with wonderment general, Mary Antony response was conditional.
- Only if you are right mind.
- But what calls you "right-mind"?
- Be like the others.
- So do you love me?
- And because this I will marry later that.
How to take "right-mind", common sense? How to adjust the head? Love leads to the greatest crazy. Antenor thinking about fix the bad head, he was convinced.
In these arrangements, Antenor walking down the street in the city center, where their eyes discovered the sign of a "watch and other machines of delicate precision." He thought that is funny and entered. A gentleman has serious serve him.
- Bring a watch to me?
- I bring my head.
- Oh! Deranged?
- They said, at least.
- In any case, there is time it?
- Since I was born.
- Maybe unforeseen at parts assembly? I can not comment anything before for thirty days and dismantling general of piece. The heads as the clocks to adjust well...
Antenor shortcuts:
- And you get to my head?
- If you leave it.
- So you have it here. Fix it. The devil is I can not walk without head...
- Sure. But while I fix it, lend him a cardboard head.
- Be right mind it?
- It's cardboard head! Explained the honest trader. Antenor received a number of his head, stuck to cardboard head, and went to the street.
Two months later, Antenor had a lot of friends, he playing poker with the Agriculture Minister, he earned a small fortune selling grubby bean to allies armies. The respectable Antenor mother saw he lies, hurt, cheat and bear everything that was not he. The relatives, however, estimated him, and his colleagues had the grace to remember that time was Antenor a crazy man.
Antenor do not thought. Antenor acted as the others. He wanted to win. Operated, cajole, counterfeit. Maria Antony shook contentment of seeing Antenor with right-mind. But Antenor, of course, despised she with a liaison that failure to demoralize him. Other "Marys" rich in position, were at opinion of the first Mary. He just had to choose. At the center worker, his fame grew, darling of bourgeois boss and workers of Spartak brothers of Germany. He was elected Member for everyone, and especially by the President of the Republic - who once he attacked later, because for the forthcoming election the president would be another. His rise could only be compared to that of balloons. Antenor forgot the past, loved the land. He was the model of happiness. Governed admirably.
It is so two years passed. All political leaders of the sun country were in difficulty in agreeing on the name the new senator, who was the rule exponent, common sense. The Antenor name was quoted. Antenor car then passed from the central streets, to take the pulse opinion, when your eyes have to sign the watchmaker and it came to memory.
- Damn! And I forgot! My head is there so long time... Find that the watchmaker? It's possibly he had sold it for the inside country.. I can not get all my life with a cardboard head!
Stoped. He entered in the dealer house. He was the same as the serve him.
- There are times I got lost here a head.
- You do not need to say more. I hope it's anxious and admired your absence, since I would unmounting your head.
- Oh! Antenor did.
- There has been good with the cardboard head? - I hope...
- The cardboard head are not bad at all. Products manufactured by series. They sell it much.
- But my head?
- I will get it.
He was the interior and brought a package with respectful care.
- Fix it?
- No.
- So much disarray?
The man retreated.
- Sir, in my long life never found an seem equipment, as well as finishing as precision. No head will work in the world better than your head. It is a sensitive plate the time, of ideas, is the balance of all the vibrations. You do not have a simply head, no. You have a head for exposure, head of a genius, hors-concours.
Antenor would deliver the cardboard head. But restrained himself.
- Make the gift wrap for it.
- Will not put it?
- No.
- You does well. Who has one head like that do not use it every day. Inevitably gives the order.
But Antenor was cautious, respectful of social harmony.
- Tell me. Even standing at home, without rope, a bell jar, perhaps detrimental it.
- What! No, You will have its first head.
Antenor was dry.
- It may be you, professionally, is right. But to me, the truth is of the other truth, who always thought it deranged and not adjusting well. Head and watches we want to be as climate and morale of every land. Stay you with her. I continue with the cardboard head.
And instead living in the sun countrya boy named Antenor, which could not be anything with more admirable head - the most illustrious of the Sun Country was Antenor, who has managed everything with a cardboard head.
************
segunda-feira, 15 de dezembro de 2008
política 01
Você teria coragem para abandonar seu estilo de vida?
english version
Se fosse necessário, você estaria disposto ou preparado para isso?
Um dia o mundo não será mais do mesmo jeito que o conhecemos agora, e então?
O que vamos fazer? Chorar? Espernear e gritar? Se jogar no chão encolhidos e se balançar?.. tristes?.. loucos?
Infelizmente, nenhuma dessas atitudes irá ajudar você. Porque é tão difícil para nós admitirmos isso?
"O mundo sobrevive sem a gente, nós é que não sobrevivemos sem o mundo!"
Porque esse fato nos deixa tão tristes?
Nós precisamos de tantas certezas para viver a nossa vida, senão, enlouquecemos, ficamos tristes. Coisas diferentes assustam nossa mente, nos entristecem. Por quê?
Vais me dizer que você não está lendo algumas dessas frases e sua mente não está rapidamente afastando as partes que você não compreende ou as partes que são diferentes, que você desconhece? Nós somos muito mais rápidos em negar e afastar uma idéia diferente do que em assimilar e pensar sobre ela. A própria cultura do mundo nos impôs isso dessa forma, (a igreja, a sociedade, nossos pais), nos ensinam a não questionar, (questionar é pecado! Você vai ser queimado na fogueira se questionar).
Nós temos idéias prontas em nossa mente para tudo e quando não conseguimos ter uma idéia pronta, ficamos confusos e assustados. Se quiser se manter vivo sem se tornar novamente selvagem nesse futuro mundo, acho que será necessário mais do que coragem. Será necessário aceitar o mundo real, sem nossas ideologias, idéias prontas. Um mundo com situações inesperadas e diferentes, talvez até desesperadoras.
Sim, mais do que coragem, será preciso pensar. Agir pensando.
Nós precisamos nos entender para sobreviver e para nos entender precisamos retirar alguns bloqueios da nossa mente, bloqueios que não nos deixam pensar livremente, pensar sem achar que sabemos a reposta. Nós não sabemos e isso não é o fim! É o começo!
Nós conseguimos sobreviver sem nossas ideologias, é só vencer o medo de pensar, o medo do novo, medo da liberdade, medo de estar sem rotina. Porque isso é tão assustador para nós?
E se nós precisarmos voltar a viver dentro de uma floresta para sobreviver, você está disposto a isso ou ficaria deprimido e morreria de tristeza? Por quê? E se para sobreviver todos deverão dividir todos os seus bens? E se o privado precisar desaparecer para o público sobreviver? Você estaria disposto a dar suas coisas em nome da vida?
A resposta parece fácil, a resposta bondosa que nós gostaríamos de dizer seria "claro que eu daria", serio?
Você está fazendo isso agora?
Você tem só o necessário para sobreviver? Ou tem um relógio que poderia alimentar uma pessoa por um ano? Ou tem mais casas do que consegue morar? Ou tem mais carros do que pode usar enquanto tem gente congelando de frio? Pra que?
A resposta é sempre automática, “sim, nós queremos ajudar”. Então porque não ajudamos? Porque continuamos vivendo guardando coisas e bens como se fossemos durar para sempre ou como se o mundo nunca fosse mudar? Como se o sistema sempre permanecesse igual?
Isso é loucura!
Porque você não se desfaz de coisas que não precisa, não organiza isso para dividir com quem está passando fome ou frio? Imaginem o homem mais rico do mundo fazendo isso... eu não consigo imaginar.
Nós cercamos terras, cercamos animais, cercamos idéias e conhecimento, tudo tem dono, uma etiqueta com nome. Sabe o que aconteceria se eu tentasse sair do sistema em que eu estou presa? Eu seria presa (Isso ficou engraçado). Ou morreria.
Se eu decidisse simplesmente sair do sistema e não usar mais dinheiro, o que acontece? Eu morro. Porque não existem mais terras nesse mundo que não tenham dono. Se eu quiser plantar um legume e viver comendo isso ou colher frutas nas árvores, eu não posso. Isso porque se eu entrar no terreno de alguém eles me prendem, se eu quiser dormir na rua eu não posso, a rua tem dono. Tudo tem dono. Isso é assim desde que o homem descobriu que sementes viram árvores e decidiram cercas terras para fazer suas plantações e decidiram que a terra tem um dono.
Eu não tenho mais liberdade para sair desse sistema sem morrer de fome ou de frio, ou depender da caridade de outros me darem comida. Isso é ridículo, não é? E essa é nossa democracia feita por que tem poder (terra), e já se passaram 8000 desde que a humanidade encontrou o rio Nilo e a coisa não muda, só piora. Cada vez mais pessoas querendo colocar seus cercados, o problema é que se acabaram os espaços vagos e os recursos estão se indo.
Volto agora ao assunto, você estaria disposto a mudar seu estilo de vida? Deixar de viver no conforto para viver no comunitário, viver sem certezas? Eu não consigo ver outro caminho para a humanidade senão esse, de abandonar nossas ideologias. Mas infelizmente o que eu vejo é que vamos nos matar e não vamos evoluir para isso.
Sabe, se eu tivesse um grande pedaço de terra, eu faria uma comunidade para quem não quer mais viver nesse sistema (usando dinheiro). Isso seria interessante... "Aqui você pode viver sem dinheiro, só precisa contribuir com sua mente".
Sabe, sair do sistema não significa esquecer toda a tecnologia que nós criamos ou o conhecimento que adquirimos, significa tornar isso de todos! Por que é tão absurdo para nós imaginarmos pessoas vivendo no nosso quintal? Porque nós estamos acostumados a ter posses, tudo tem dono! O terreno é meu! A idéia é minha! Tudo é de alguém!
Isso é tão absurdo... Vamos nos matar tentando colocar etiquetas um na testa do outro enquanto a água e comida desaparecem.
E pior, qualquer um que não queira mais viver dessa forma não terá esse direito, porque tudo tem dono e precisa-se de dinheiro para poder comprar, para poder viver.
Não se vive mais em troca do "eu ajudo um pouco e você ajuda um pouco", isso não dá lucro, e se não dá lucro não acumula posses.
Pra que isso tudo?
PS. Antes de negar o que eu estou dizendo, por favor, pense... É só isso que eu quero com esse texto. Porque essa idéia parece loucura ou exagero para você?
Você está sentindo-se assim porque tem argumentos ou porque essa nova realidade seria muito assustadora para você? (porque esse "não, não, não" tão rápido dentro da sua cabeça? É mais confortável assim?). O que você vai fazer sobre isso? O que está fazendo? Pensar ou correr? Tentar ou desistir?
politics 01
Would You Corauge to give up your lifestyle?
portuguese version
If maybe it were necessary?.. Are you willing or prepared to this?
One day, the world like we know no more will be it.. what then?
What will do us?
..we cry?.. to commit suicide?.. shout at the world?.. shrink yourselves in the floor and swing?..desperate?..sad?
Come what may, if you do some attitude about it, unfortunately nothing that will be able to help you (cry and sad).
Why? Becuse the world will not stop just you are sad or desperate. The planet is "alive" with or without us.
Why is so difficult for us admit that?
"The planet will survive without us! We don't survive without planet!"
Why this fact make us sad?
We need so much "certainties" to life us own life... If not, we to go wild, crazy.
We don't like diffetent thing, it's scare us, scare our mind. When we don't know what to do..what to do.. and bang! It comming the "fear"!
..It's our mind.
Tell me if you don't are reading it now and your mind is quickly deagree of parts you don't undertanding or don't know? Don't you talking "no" to the "parts differents"? (New parts, Odd parts).
We are really quick to say no, to deny "the differently things". We leave very quickly different things and don't think about it.. Our culture learning us it so, our society, the cultures, the church. They learning us "no question, no think" (Don't question it, quest is sin... if you quest.. will be burn!).
Building ideas are put into our mind, finish ideas to don't think. We are used to have thougth-ideas and when can't do it, we are scare and sad... (OMG! and now?.. I don't know it!.. no analogies! and now?!..AAaahhh!)
note: I don't be sad thinking it, I'm happy for can to see this. Now I can do something about it.
In next world, if you will want to alive and not return to caveman times, I think that will be necessary for us more than only corauge. we will need accept the real world without our ideologies or ready-ideas. One world with situations different from us, new situations, maybe until desesperate. Yes..we will need more than corauge, will need to think - to act thinking. We need understand ourselves to survive and for this, we need withdraw some barreirs of our mind. It's blocks wouldn't let us release our thought, it wouldn't let us think without know all responses.
We can survive without our ideologies, it's only overcome our fear of think, fear of freedom, fear of "no routine". Why this is so scare for us? And if we need back to into the florest to survive? Are you willing to this? Or will be you depressed? Why? And, if it were necessary: divide our possessions between everybody to our survival? If "the private things" disappear and there is just "the public things"? Are you willing on beahlf of life? The reply look like easy, the kind reply is every "of couse yes". Really?
And..what are you doing now? Have you only the necessary to your life? Or have you so much valuable things that it may feed many people? Why you can't have valuable things? it's true, you can but.. what for?
The replies are automatics always: "yes, we want to help!" So..why we don't help? Why we carry on with our live into this system? We are accumulating things like it was eternal, like the system of world never will be different. It's madness!
Why can't you leave your unnecessary things? Do you know?
All things has owners, lands, animals, knowledge and ideas, it's all private, all has price tag.
Do you know what will happen if I trying to out of system? I will be in prision, illegal. If I decide no more user money, what happen with me? I will die, with hunger or cold. It's becuse all lands have owner, if I want to plant at lands or pick fruits, I can't. Lands are fence like all. That fact prision me into the system, and I can't living only by my work - without money, I will need people help for do it, help to eat and sleep, if not.. I can't leave the system.
The situation is like this since 8000 years ago, when the humanity found out seeds turn into plants, at banks of River Nile. And then.. the humanity planted and decide "land have owner", it was did for what other nomans don't eating his plants. Since then it work so. Who decide it in first? God?..
That is since the old times, no change, (just change the laws name). But now the empty places are finish and no more places to fence with labels, and it no change... resources are finish and it no change..We will die trying to put labels at forehead of the other, of the things.
That is our democracy, did by who has power (or lands). Democracy to my liberation! (what?)
Now I to go back the subject, would you willing to give up your lifestyle? Leave your comfort to life no-private? To life Without your certainties?
So, leave the system don't means leave tecnology or all knowledge acquired, but means it will be everybody, it will be public, no more "It's mine or your" and "It's our". can nobody live without possessions? Why? Why no: "I help you a little and you help me a little"? All is connection.. It's will work if there isn't profit..if there isn't accumulate..
I can't think another way to humanity besides it, leave our ideologies, blocks. But..unfortunately, I think we will going to kill ourselves before evolution from that.
You know, if I had a big place, I do a community. A community where yoou don't need money, for who wan't more living into the system. It were necessary just two things: respect and sustentability. All laws were based on respect and sustentability.
Only this...
Why this idea seem madness for you?
(..why this "no..no..no" into your mind now? It's more comfortable?.. But it solve the problem?)
What you will do about it?.. what you're doing now?
think or run? Try or give up
domingo, 14 de dezembro de 2008
FIRST POST
PRESENTATION
portuguese versionI am one wild Sloth lost at vast concrete jungle called Sao Paulo - Brazil.
I tried to enter the USP college, but they do not allow animals to enroll there, so ... I am will just hanging among their library shelves.
In the future, maybe I will tell a little about the secret plans of sloths to the world, but it is still early for that. We are very patiently creatures and we expect the right time for everything. We're evaluating human beings at the moment, and my mission next year will be studying their history and customs. So those are the main themes of this page, in addition to being the fastest way to relay information to my sloths leaders.
I have some friends who will visite this blog, however peculiar exotic creatures, I guess you all will like them.
I will try to translate this written here to English, but I do not speak English, so, I think it will be a beautiful ... ( how talk it) ... crap.
Take care!
Thanks for your patience!
PRIMEIRO POST
APRESENTAÇÃO:
english versionSou um bicho preguiça perdido na grande selva de concreto chamada São Paulo.
Eu tentei entrar na USP, mas eles não permitem que animais se matriculem lá, então... ficarei apenas me pedurando entre as prateleiras da biblioteca deles.
Futuramente, talvez eu conte um pouco sobre os planos secretos dos bichos preguiças para o mundo, mas ainda é cedo para isso. Nós somos criaturas muito pacientes e sabemos esperar a hora certa para tudo. Nós estamos avaliando os seres humanos no momento, e minha missão no próximo ano será estudar sua história e costumes. Então esses serão os principais temas desta página, além de ser a forma mais rápida para repassar informações para meus líderes preguiças.
Tenho alguns amigos que visitaram este Blog, criaturas exóticas porém peculiares, creio que vocês irão gostar.
Eu tentarei traduzir as coisas escritas aqui para o inglês, mas como eu não falo inglês, penso que ficará uma bela...como direi... merda.
Até mais!
Obrigada pela paciência!
Assinar:
Postagens (Atom)
