quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

filosofia 01

Você precisa ser dinâmico!


Nossa mente rápida e impaciente está sempre à procura de analogias conhecidas para todas as imagens que vê, para as palavras que ouve, palavras que falará. Isso é quase uma exigência gritante aos nossos ouvidos, “você precisa ser dinâmico!”, “pense rápido!”. Mas será mesmo esse o caminho para o conhecimento? Quantos aprendizados e novidades nós atropelamos pelo caminho? Ou deixamos de apreciar por pressa?
Um exemplo que constata a nossa pressa mental pode ser visto em um simples passeio a um museu de arte contemporânea. Quem nunca entrou em um desses museus, viu uma daquelas obras estranhas - aparentemente sem significado ou sentido, e logo decidiu: - “que coisa mais imprestável, isso é inútil.” Ou, se você nunca foi a um museu, você já deve ter visto algo “artístico” em algum lugar e também pensou da mesma forma.
Ah, essa maldita pressa de analisar e pensar, sempre nos retirando as partes agradáveis da vida.
Certos fatos ou coisas não foram feitos para serem compreendidos, mas para serem apreciados, ou para serem estudados, ou para serem sentidos, ou mesmo para provocarem o fato do pensar.
Qual é a sua descrição para algo simplório, como uma pedra? Você olha para uma pedra e se pergunta: “o que significa a pedra?” ou você logo diz “o que é a pedra”, - ou seja, a definição para a coisa, a explicação lógica para isso. Por que não: o que significa uma pedra? Isso acontece porque nossa mente logo busca por analogias, a “definição da pedra” vem muito mais rápido à memória do que “um significado para pedra”, pois “pra que serve” é a resposta mais útil, que tem mais aplicação prática. Pensar de forma diferente é trabalhoso. Pra que pensar diferente, sim? Qual seria a aplicação disso? Por favor, não concorde, por que concordar com isso é cômodo demais...
Nós precisamos pensar diferente para exercitar nossa mente, para fazê-la respirar, fazê-la criar soluções, para nos tornarmos vivos e não escravos das situações.
Nossa pressa nos faz ignorar as outras perguntas, as perguntas para as quais nós não temos respostas prontas, ou analogias. Em certos momentos, nossa pressa faz até a nossa mente desconhecer essas sensações, essa realidade. É preciso ter tempo para pensar sobre situações e filosofias de diferentes formas. Tempo e coragem, por que o desconhecido muitas vezes nos assusta e nos faz desistir ou correr.
Quando você ouve uma música, você tenta explicar o que ela significa? Por quê? E se ela foi feita para te fazer pensar e não para ser explicada? Assim como um quadro de arte contemporânea, não tem um significado pronto, ele tem o significado de significar, de criar significados.
Você precisa aprender a olhar para as coisas de duas formas, forma prática e a forma crítica. A forma prática vem rápido, com as analogias e a forma crítica não vem tão rápido, precisa de uma “segunda olhada”. A forma prática pode ter suas utilidades em certos momentos, mas é inútil em outros, assim como a forma crítica. Você não vai observar um carro vindo na direção de uma criança e ficar pensando sobre isso, você vai ser prático e correr para tirá-la da frente do carro. Entretanto, você também não pode passar pela vida sem ver um segundo significado em nada, sem ser nenhum um pouco crítico, apenas concordando com (ou discordando de) tudo. Parte de nós é feita de sentimentos, sim?
Você precisa aprender a separar as duas coisas. Existem objetos, fatos, textos que foram feitos para te ajudar a pensar, outros textos são mais diretos, querem te dizer algo direto, ou indireto. Uma placa de transito é direta, uma música pode ou não ser direta, assim como um quadro. Uma propaganda de TV parece ser direta, mas ela te diz várias mensagens indiretas e você pode não perceber – justamente por lhe faltar a forma crítica. Isso pode te enganar e te manipular se você desconhecê-la. Você sabia que em uma placa comercial, nada está ali por acaso? Todas as imagens e palavras na placa foram pensados, escolhidas para manipular quem não gosta de pensar de forma crítica. (Agora sim te dei um motivo bem prático para pensar de uma forma não tão prática, sim?).
Enfim, o importante é você não ceder aos medos da sua mente. Ela teme tudo que não consegue explicar de imediato, e muitas vezes isso pode te afastar de tantas realidades maravilhosas, ou até te isolar da realidade. Ou pior, tornar-te cego. Faça esse favor a sua mente, ensine-a a ser paciente ao observar o mundo, ensine-a a ver de diversas formas, não a deixa endurecer e aceitar tudo por um único ponto de vista. Pode ser mais cômodo ter certezas de tudo, mas a aplicação real disso, não é nada prática.

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